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allTV - Painel Haddad (05/08/2019) - Fernando Haddad entrevista Renato Sérgio de Lima
287 falas · 1 políticos · 5 de agosto de 2019 · 30 min
Falas de Fernando Haddad. 287 falas transcritas, com tema e posicionamento nas que a análise classificou.
Quem fala
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Transcrição
287 falasTranscrição completa do vídeo. As falas que a análise classificou trazem tema e posicionamento.
Renato Sérgio de Lima é professor do Departamento de Gestão Pública da FGV, possui graduação em Ciências Sociais, mestrado e doutorado em Sociologia pela Universidade de São Paulo, pós-doutorado no Instituto de Economia da Unicamp, visiting scholar no Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, autor de inúmeros projetos sobre violência, segurança pública, transparência e estatísticas públicas.
Boa noite, Renato.
Desconhecido
Boa noite, Fernando.
Desconhecido
Tudo bem?
Desconhecido
Tudo bem.
Eu queria que você abrisse esse programa dando um panorama do que vocês aprenderam fazendo o Atlas e o que você pode dizer do retrato, do panorama da violência no nosso país.
Desconhecido
Infelizmente, o retrato é extremamente preocupante e tem sido uma soma de más notícias ao longo dos 13 anos de existência do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que é uma rede de pesquisa e informação, de debate sobre a área, formada por policiais e não policiais.
Desconhecido
E já, pelo menos há alguns anos, nós produzimos duas grandes publicações.
Desconhecido
É o Anuário Brasileiro de Segurança Pública com registros policiais.
Desconhecido
Todo ano a gente publica os dados dos boletins de ocorrência, dos registros de ocorrência.
Desconhecido
E a outra com os dados do sistema de saúde, que são publicados no Atlas da Violência, numa parceria com o IPEA.
Desconhecido
E olhando para os dados, cada um tem a sua particularidade, mas olhando para os dados da saúde, a notícia é extremamente preocupante.
Desconhecido
Ele sempre tem dois anos de defasagem, é importante frisar isso.
Desconhecido
E por que esse tempo é necessário?
Desconhecido
Porque a gente pega todos os microdados, como nós, em geral, tecnicamente a gente se refere, que a cada morte tem lá informação.
Desconhecido
Se a pessoa era jovem, qual a idade, qual a raça barra cor, local e tudo isso.
Desconhecido
E a gente chegou em 2017 a 65.602 vítimas.
Desconhecido
uma taxa de quase 32 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes.
E me corrija se eu estiver enganado, é mais do que a morte dos americanos na guerra do Vietnã inteira.
Desconhecido
Exatamente.
Desconhecido
Nós tivemos uma... a gente tem aqui todos os anos uma enorme quantidade de homicídios e que muitas vezes não nos chocam mais.
Desconhecido
esses homicídios não nos causam a devida indignação para que a gente mude esse cenário.
Desconhecido
E por que isso acontece?
Desconhecido
Se a gente olhar, a gente vai perceber que quem está morrendo é a própria população brasileira, ou seja, não é uma guerra, um conflito contra o país.
Desconhecido
Predominantemente são jovens, predominantemente são negros, que é a soma de pretos e partos usando a metodologia do IBGE.
Desconhecido
E quase sempre moradores de periferias dos grandes centros urbanos.
Desconhecido
A gente tem um problema de violência extremamente grave, que infelizmente não se encerra somente nas mortes, o Atlas fala delas, mas a gente tem, por exemplo, questões com quase 60 mil estupros todos os anos.
Desconhecido
Nós temos uma, a gente poderia falar aqui de uma infinidade de tipos criminais que acontecem todos os dias no país e a gente não sabe bem como lidar com isso por uma série de questões.
Desconhecido
históricas, políticas e, sobretudo, institucionais.
Renato, tem uma tese, uma tese muito comentada, sobretudo pelo público leigo, de que a violência é também uma consequência da desigualdade social.
Isso é comentado, mas nós tivemos um período de queda da desigualdade social no nosso país.
e pelo menos 10, 12 anos de queda importante da desigualdade e da abertura de oportunidades, inclusive para essa juventude que passou a frequentar universidades, escolas técnicas, coisas que não estavam disponíveis no século passado.
A que você atribui o aumento da violência?
É, como dizem, uma questão relacionada especificamente a guerras drogas, a outros fatores.
Como é que você... descreveria o quadro.
Desconhecido
A gente pode dividir esse volume... quase que o biceno de mortes em três grandes blocos.
Desconhecido
O primeiro, que são conflitos interpessoais e que tem a ver também com as dinâmicas da violência doméstica, de gênero, os feminicídios, as brigas em bares, enfim.
Desconhecido
Conjunto de mortes que acontecem, eu não gosto muito da expressão, mas ela foi convencionada a motivos banais, porque ninguém vai matar outra por questão banal, existe ali algum conflito que leva a essa situação.
Desconhecido
E esses crimes estão crescendo de forma bastante... no país, pelo menos nos últimos 10 anos, ou seja, os conflitos interpessoais.
Desconhecido
Tem uma outra dimensão, que é a dimensão das respostas públicas frente ao crime e à violência.
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